quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Ai, que medo do ebola!


Saiba mais sobre esse vírus que anda assustando muita gente por aí
NOTÍCIAS - 03-11-2014


Você já ouviu falar do ebola? Seja no telejornal ou no colégio, muita gente está comentando sobre esse vírus depois que ele deixou várias pessoas doentes. Mas, afinal, o que é o ebola e por que ele causa tanto medo?

Veja, em vermelho, o vírus ebola, que recebe esse nome por ter sido descoberto em um paciente infectado próximo ao rio Ebola, localizado no Congo.

Tudo começou em 1976, quando o diretor de uma escola no Congo, país da África Central, ficou doente e morreu. Depois de muita pesquisa, os cientistas descobriram que ele e outras pessoas do lugar adoeceram por causa de um vírus ainda desconhecido, ao qual deram o nome de ebola, já que o diretor foi infectado próximo a um rio com o mesmo nome.
No início, a África Central era a região mais acometida pela doença causada pelo ebola, pois abriga um morcego gigante conhecido como raposa-voadora. Capaz de contrair o vírus sem ficar doente, o mamífero é considerado um reservatório que pode espalhar o vírus ebola por aí. Imagine o perigo?

Conhecido como raposa-voadora, este morcego gigante é capaz de carregar o vírus ebola sem ficar doente, podendo espalhá-lo por aí. Que perigo!


Com o passar dos anos, outros países da África viveram surtos da infecção e, em dezembro de 2013, começou a atual epidemia. Dessa vez, o surto começou na África Ocidental, parte do continente que também abriga o raposa-voadora. E foi lá que, em menos de 1 ano, mais de 4 mil pessoas morreram infectadas pelo vírus. 

De uma pessoa para a outra

Mas não pense que o ebola se espalhou apenas por meio do morcego – afinal, ele vive dentro da floresta, bem longe de nós. “Quando o ser humano invade a floresta, seja para desmatar ou caçar um animal, ele pode entrar em contato com o morcego, ser contaminado e levar o vírus para outros locais”, explica a infectologista Otilia Lupi, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. A partir daí, quem entrar em contato com o sangue ou fluidos corporais de pessoas infectadas, como saliva e vômito, pode também se contaminar.

Como o ebola também é transmitido de uma pessoa para outra, os profissionais de saúde que lidam com pacientes infectados devem usar equipamentos que os deixem protegidos contra o contato com o vírus.


Desde 1976, 21 epidemias da doença já aconteceram. Porém, dessa vez o vírus se espalhou rapidamente por causa das características da Guiné, país africano onde o surto atual começou. “As pessoas desse local se visitam muito, diferente de surtos que ficaram em comunidades rurais e não se espalharam”, explica Otilia.

Além dos países africanos, locais como os Estados Unidos também tiveram pessoas infectadas. Como os sintomas iniciais do ebola lembram os da gripe, como febre e dor no corpo, muita gente pode não saber que está com a doença e acaba viajando para outros lugares, levando o vírus consigo. Mas, atenção: diferentemente da gripe, o ebola não pode ser transmitido pelo ar.

Otilia também explica que o perigo da doença está na evolução para uma forma chamada de febre hemorrágica que causa perda excessiva de sangue, podendo levar à morte. “Cerca de 30 a 40% dos casos podem evoluir para esse estágio”, diz a infectologista. Mesmo assim, em muitos casos, o próprio corpo se cura da doença sozinho.

Sem pânico!

Descobrir a capacidade que o ebola tem de se espalhar pode deixar você assustado. Porém, é importante saber que, no Brasil, não há presença do raposa-voadora e o único jeito de o ebola entrar no país é caso alguém venha infectado de outros locais. E, se isso acontecer, os profissionais de saúde brasileiros estão muito bem preparados.


 Você sabia que, apesar de ser um acontecimento muito triste, o surto de ebola pode até abrir portas para que os cientistas busquem novos tratamentos e vacinas contra o vírus?

Prova disso foi o caso de um homem que, no início de outubro, saiu da Guiné, na África, para o Marrocos e de lá veio até o Brasil. Aqui, ele foi a um posto de saúde apresentando febre e mal-estar e, quando os médicos souberam de onde o homem vinha, logo o enviaram para a Fiocruz, onde ficou isolado para que não entrasse em contato com ninguém até que saísse o resultado dos exames, que deram negativo para o ebola. Ufa!

Portanto, nada de pânico: vamos ficar de olho nas novas descobertas da ciência e torcer para que todos se livrem logo desse vírus.

E a cura?

Apesar de muito esforço dos cientistas, ainda não existe uma cura para o ebola. No entanto, é em casos como o surto atual que a ciência dá os primeiros passos para buscar um tratamento e até mesmo uma vacina contra o vírus. Medicamentos que ainda não testados em humanos foram aplicados emergencialmente nas pessoas infectadas e algumas foram curadas.

Além disso, o sangue dessas pessoas está sendo estudado para a produção de soros capazes de agir como um antídoto contra a infecção, já que aqueles que adoecem pelo ebola uma vez ficam imunes à nova infecção pela doença por toda a vida.

Segundo Otilia, outras doenças que hoje já não metem em medo em ninguém foram, no passado, tão assustadoras quanto o ebola. “A malária e a dengue também saíram de dentro da floresta”, diz. “O importante é entendermos como a doença ocorre e, em seguida, controlar os animais envolvidos na cadeia, como fazemos com o mosquito da dengue.”

Outro exemplo é a febre amarela que causou grandes epidemias no século 15 e, no início do século 20, teve uma vacina desenvolvida. “A doença foi empurrada de volta para a floresta, e acomete apenas quem não for vacinado e entrar na floresta”, adiciona a infectologista.

Fonte de pesquisa: http://chc.cienciahoje.uol.com.br/ai-que-medo-do-ebola/

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Do pão estragado à farmácia


Entenda como Fleming descobriu o primeiro antibiótico


Você chega na cozinha e encontra um pão velho e cheio de bolor. Eca! Trate de jogá-lo fora. Mas, antes, saiba que ele pode conter um fungo que já salvou muitas vidas. Quer entender como? Para isso, vamos conhecer um pouquinho da vida de Alexander Fleming, cientista conhecido como pai da penicilina.

                                                     Alexander Fleming (1881-1955)



Ele nasceu em× Lochfield, na Escócia, no dia 6 de agosto de 1881, e morou em uma fazenda com sua mãe e irmãos até os 13 anos, quando se mudou para× Londres, na Inglaterra. Anos mais tarde, ingressou no curso de medicina na× Universidade de Londres e, depois de concluí-lo, começou a se dedicar ao estudo de substâncias capazes de combater bactérias.

Enquanto pesquisava, Fleming acabou fazendo duas importantes descobertas por acaso. A primeira delas começou, imagine você, com… aaaaaaaatchim! Um espirro.

Algumas gotículas de secreção caíram em uma placa de cultura de bactérias e, após alguns dias, o cientista percebeu que os microrganismos do local onde havia sido depositado o catarro tinham sido destruídos. A responsável era a lisozima, enzima presente nas secreções humanas capaz de destruir alguns tipos de bactérias.

Novos antibióticos são testados de maneira similar aos estudos de× Fleming. As substâncias são colocadas em uma placa de cultura de bactérias e, em seguida, observa-se se elas conseguiram inibir a multiplicação dos microrganismos (Foto: CDC)


Já sua descoberta mais famosa – a penicilina – aconteceu em 1928, quando× Fleming saiu de férias e esqueceu placas de cultura de microrganismos em seu laboratório. Ao voltar, ele percebeu que algumas das placas estavam contaminadas com bolor – um fungo do tipo Penicilliumque cresce também no pão velho. Você já deve estar achado que essa história é uma eca só…

Mas o que podia ser apenas uma coisa nojenta era na verdade um poderoso antibiótico. Fleming notou que, ao redor das colônias de fungo, não havia mais bactérias. Algumas pesquisas depois, ele descobriu que o fungo produzia uma substância com efeito bactericida: era a penicilina, até hoje muito usada para curar infecções. Ela foi o primeiro antibiótico da história e já salvou muitas vidas!


As descobertas de Fleming podem parecer sorte porque aconteceram por acaso. Mas, se não fosse o seu olhar atento e curioso, talvez não tivéssemos a solução para tantas infecções. Por isso, siga seu exemplo e esteja sempre atento – ainda tem muita coisa por aí para você descobrir!


Fonte: http://chc.cienciahoje.uol.com.br/do-pao-estragado-a-farmacia/

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Os clones estão de volta!

Os clones estão de volta
Anúncio da clonagem de um embrião humano reacende uma antiga discussão
NOTÍCIAS - 27-05-2013 


Você provavelmente não era nascido quando os cientistas anunciaram o nascimento do primeiro clone de um mamífero – a ovelha Dolly, em 1996. Desde aquela época, pesquisadores do mundo inteiro tentam clonar também células humanas. Pois bem: finalmente conseguiram!

Agora, vamos com calma – não estamos falando de nenhum bebê. O clone conseguido por cientistas da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon é apenas um embrião em seus estágios iniciais de desenvolvimento. No entanto, o feito pode ter muita utilidade, pois é justamente nesta etapa que os embriões são formados por células-tronco, um tipo especial de célula capaz de se transformar em qualquer outra célula humana.

A retirada do núcleo dos óvulos é o primeiro passo para o processo de clonagem de embriões humanos. A técnica pode abrir novos caminhos para o tratamento de diversas doenças (Foto: OHSU)
A retirada do núcleo dos óvulos é o primeiro passo para o processo de clonagem de embriões humanos. A técnica pode abrir novos caminhos para o tratamento de diversas doenças (Foto: OHSU) 


A técnica utilizada foi bem parecida com a que permitiu a criação da Dolly e outros clones animais. Resumindo bem: pega-se o núcleo de uma célula do indivíduo a ser clonado e, em seguida, insere-se em um óvulo do qual o núcleo tenha sido previamente removido . A nova célula vai se multiplicando em outras células, até que se forme um embrião – que, no caso da Dolly, foi implantado no útero de outra ovelha para se desenvolver.

Diferentemente do que aconteceu com a Dolly, o novo embrião humano não foi implantado no útero de uma mulher. Em laboratório, ele passou apenas pelos estágios iniciais de desenvolvimento. Suas células foram coletadas para criar tecidos especializados, como células nervosas, do fígado e do coração, entre outras.

Os novos tecidos – e, teoricamente, até órgãos inteiros – poderiam ser utilizados, no futuro, para serem transplantados para pessoas doentes. Por exemplo, se o coração de um paciente começasse a apresentar muitos problemas, a clonagem permitiria criar um coração novo, igualzinho ao anterior, para substituí-lo.

Corre-corre científico

Desde que os cientistas conseguiram clonar ovelhas e outros animais, havia uma expectativa para saber se seria possível criar um clone humano. Muitos pesquisadores saíram em busca de um método perfeito para clonar células humanas. Em 2004, um cientista sul-coreano até anunciou que conseguira fazer isso. Mas era mentira! O caso gerou um bafafá tremendo…

Para conseguir clonar células humanas, a equipe trabalhou primeiro com células de embriões de macacos rhesus, clonados com sucesso em 2007 (Foto: Aiwok / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0)
Para conseguir clonar células humanas, a equipe trabalhou primeiro com células de embriões de macacos rhesus, clonados com sucesso em 2007 (Foto: Aiwok / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0)


Outros grupos de cientistas começaram a pensar em formas alternativas de criar novos tecidos e órgãos humanos, sem utilizar clones. Uma opção, por exemplo, foi trabalhar com células-tronco adultas, e não embrionárias. Essa metodologia, ainda em fase de testes, foi a saída encontrada, por exemplo, no Brasil, onde a clonagem humana é proibida por lei.
Agora, uma questão para refletir. Se, por um lado, o anúncio da clonagem de embriões humanos representa um avanço para a ciência, por outro, traz também algumas dúvidas. Seria possível levar os embriões clonados até a vida adulta? E, mais importante: será que queremos fazer isso?

Fonte: http://chc.cienciahoje.uol.com.br/os-clones-estao-de-volta/